terça-feira, 17 de novembro de 2009

Amo-te PORTO

Uns mais que outros, mas todos os dias me lembro dele, do meu Porto.

Lembro-me da Ribeira, de quando lá ia com a minha avó comprar o carneiro para comer no São João. Lembro-me dos Sábados à tarde em que lá passava com os meus pais para comprar um frango assado no Julião. E também dos Domingos de manhã em ia com o meu pai comprar azeitonas.

No Verão, das crianças a mergulharem no rio para apanhar as moedas que os transeuntes atiravam. Que inveja eu tinha delas. Andavam descalças, não tinham calor e passavam o dia na água. HAveria melhor forma de passar as férias de Verão? Pensava eu. Eu que não sabia que aquelas crianças passavam fome, não tinham brinquedos e as moedas que apanhavam no fundo do rio eram para comprar vinho. Se bem que muitas vezes ouvi as velhotas dizerem:'Ó Senhore, não atire, que ele dá ao pai para comprar vinho!'

Recordo do ritual de colocar a moedinha e acender a vela nas 'Alminhas' da ponte.

E as iscas de bacalhau? Vejo a mulher curvada sobre o fogareiro a gás a vazar a massa de uma concha para a sertã, que de tão usada já mais não era que um só de gordura. Há muito que o ferro deixara de se ver. Lembro-me que sempre desejei uma dessas iscas, mas nunca tive coragem de a pedir, nem aos meus pais, muito menos à minha avó. A vontade de a provar depressa se acabava ao olhar para o mar de gordura que se depositava no papel mata-borrão onde eram embrulhadas.


Ainda ouço a minha avó a contar a história da tragédia da ponte das barcas, enquanto procura me dá a moedinnha para colocar na caixa das esmolas. Ouço a minha mãe contar as aventuras dela de quando 'fugia' do atelier dos bordado e juntamente com as amiga ia 'às iscas'.

'Às iscas' ia também o meu pai, mas depois dos bons resultados na escola e depois de receber 20$00 das mãos do engenheiro Ricca, o então director da Efacec.






Porto II
Óleo sobre tela, 73×92cm, 1994
Colecção particular
Número atribuído: 224

1 comentário:

lele disse...

Esse Porto que descreve eu ja nao o conheci, igualmente amo-o. Desde que o Porto ficou ao sul dos meus sapatos sinto muito a sua falta, e ler a sua declaração fez-me lembrar que eu também escrevi uma carta de amor ao Porto quando lá cheguei. Chegava apaixonada por Lisboa, toda a gente dizia "se gostas duma nao irás gostar da outra", Nem por isso! Fui muito feliz em Lisboa, é verdade; quase tanto como fui no Porto, onde algum dia voltarei.
Querido Porto: http://portugalaope.blogspot.com/2008/09/querido-porto.html