terça-feira, 10 de novembro de 2009

Turbilhão

Quando eu era pequenina, o Natal começava em Dezembro, bem lá para o fim, já nas férias escolares.

A árvore era feita no dia 8 de Dezembro, dia da Mãe. Na escola, nos últimos dias de escola, nas vésperas da festa de natal, fazíamos uma redacção sobre o Natal, onde falávamos dos presentes que queríamos, pedíamos ao Menino Jesus, sim o Pai Natal passou a estar presente uns anos mais tarde; pedíamos então, ao Menino Jesus, saúde, comida e uma casa quentinha para os meninos pobres. Não tínhamos coragem de fazer aquelas listas infindáveis que hoje em dia os miúdos fazem e o momento alto dos dias anteriores ao Natal era quando o meu Pai aparecia em casa com a prenda da ADEFA.

Agora o Natal começa em Outubro. Andamos ainda de calções e havaianas e já nos esbarramos com as árvores de Natal nos centros comerciais.

Sim, naquele tempo não havia, ou havia poucos centros comerciais. E aqui está mais um momento mágico, roubado por eles: esperar ansiosamente pelos dias que antecediam a véspera de Natal, em que o comercio tradicional abria até à meia-noite e ir calcorrear as ruas do Porto em busca dos presentes.
Frio, chuva, às vezes, mas alegria, muita alegria no rosto das pessoas, que pareciam caminhar ao som das músicas de Natal que soavam do altifalantes espalhados pela rua.

Agora tudo foi alterado, antecipado, desmistificado... as compras fazem-se nos centros comerciais, sem frio, sem chuva, com musicas sim, mas sem magia!

Esta foto foi tirada no Domingo passado, 8 de Novembro, mas poderia perfeitamente ser de Outubro... já era Natal, em Outubro...

Naquele época, eu gostava do Natal. Gostava de escolher as camisas de dormir das avós, que comparávamos no Paiva e Cid ou na Casa Rocha. De lá também vinham as meias para os avós e os tios. Outras vezes eram lenços de mão para os homens e lenços de pescoço para as mulheres.
Na Casa Natal, da rua do Bonjardim, vinha o bacalhau, que era posto a demolhar na bacia vermelha que durante o ano ficava guardada na despensa.
As uvas passas, os damascos, as nozes e os outros frutos todos vinham do mercado do Bolhão. Na Júlia, também do Mercado do Bolhão, vinha sempre um belo de um ananás, dos Açores para o centro de mesa.

E o Natal passava tão rápido, mas era tão intenso que todos estes momento se entranharam em nós de tal forma como se ontem tivessem sido!


Nota: Este post demorou três dias a ser escrito. Não porque fosse muito pensado, ms porque foi o pensar em momentos diferentes sobre o Natal. O resultado: um turbilhão de momentos.


3 comentários:

Ricardo disse...

Minha Cara Reflexos, felicito-lhe uma vez mais pela realidade que descreveu neste lindissimo post.

Na realidade o Natal de hoje já não é vivido mas sim sofrido, cada vez há mais egoismo, rancores, ódios, entre outras, coisas, enfim...

Mas não quero fugir ao tema que escreveu e, por isso,acrescento que o Natal se resume a uma só coisa comércio, já não dão importancia a coisas bases como a fraternidade, o pensar no próximo e naquilo que nos faz feliz, hoje todos pensam em sim e só em si.

Mas não vou colocar todas as pessoas no mesmo saco, a exepções e ainda bem, mas não quero deixar de referir que o Natal deixou de ser Natal, por causa dos centros comerciais e super mercados.

Por Exemplo aqui na Ilha da Madeira desde Setembro já estamos no Natal, sãos pinheiros, brinquedos, presépios feitos, pais Natais nas montras, agora chega ao dia e nada lembra...
Lembro que em Setembro ainda estámos em pleno Verão, se o tempo passa rápido a culpa é do comércio e se os tempos ou as tradições estão a mudar é por causa do consumismo.

Reflexos um grande bem Haja para si e obrigado por partilhar o seu Natal daquele tempo que viviam muito bem o natal, também tive um natal assim mas agora tudo mudou.

Um grande beijinho deste seu seguidor Ricardo

Reflexos disse...

Poie é, Ricardo, hoje o NAtal é tudo o que não devia ser... parece que as pessoas esperam pelo NAtal para se redimirem das coisas más que fazem ao longo do ano...

Becas disse...

olá,
apesar de só ter visto este post passados alguns dias, não posso deixar de comentar e dizer que concordo totalmente com o que ambos escerveram...
sou a filha mais nova de sete e sempre tivemos um Natal de partilha e feliz tal a reflexos descreveu, pois sempre foram esses os principios que os meus pais nos ensinaram...
desde que o meu Pai faleceu alguma dessa alegria e magia desapareceu, mas ainda ficou alguma, pois a minha mãe merece que nós como filhos, e falo por mim, façamos tudo p/ minimizar a dor que sentiu da perda...
pois como se não bastasse perdeu uma filha com 46 anos de idade...não sei se a dor for maior ou simplesmente diferente, mas de certeza que foi um pedaço dela que morreu tb...
neste momento alguma dessa dor pode ter "desaparecido" mas não na totalidade e se dizem que o tempo cura tudo eu sinto cada vez mais saudades das pessoas que perdi...
claro que prezo muito os que ainda tenho cá, mas ninguém substitui ninguém no nosso coração...
isto tudo p/ dizer, e desculpem o meu desabafo, que sinto muita falta do Natal de qdo era pequenina, altura em que se juntavam mais de 20 pessoas numa csa pequena, mas cheia de boa vontade. Hoje cada um vai p/ seu lado e se forem mais de 6 ou 7 pessoas já não existem condições p/ juntar tanta gente...
P/ ser sincera nem me apetece falar do Natal, mto menos festejar...
Só o faço pq tenho a minha mãe que sempre deu valor às coisas essenciais, como a partilha, a entreajuda, convivência entre as pessoas e sempre fez tudo pelos filhos e é o minimo que posso fazer por ela... Uma pessoa de quem me orgulho e muito, tal como o meu Pai....
não consigo escrever mais...

bem hajam
beijos da Becas