sábado, 14 de junho de 2008

A minha avó está no hospital

A minha avó está no hospital... mas amanhã já sai!
Aquilo são 91 anos duros!
Trabalhou em fiações, nunca teve os mimos de agora como as máscaras, o leite e afins que as operárias das fiações agora têm, mas tem os pulmões limpos!
Teve uma falha cardíaca provocada pela troca de medicamentos... é que aos 91 anos não é qualquer coisa que os deita abaixo, mas basta uma pequena coisa para os abanar... nestas idades vergam, mas não partem!
Neste caso bastou o médico passar-lhe a receita de um medicamento de m outro laboratório... são todos iguais, mas não tão iguais assim!
No meio de tudo isto, quem fica afectada é a minha mãe...fica com a 'cabeça em água'!

O início da história:
A minha mãe ligou-lhe na quarta feira para saber dela e achou-a um pouco em baixo, mas como houve subidas acentuadas de temperatura e as pessoas da idade dela ressentem-se destas coisas, apesar de preocupada, não valorizou... comentou comigo, com o meu pai e agendou uma ida a casa dele para quinta feira.
Quinta feira, quando se estava a levantar recebeu uma chamada de uma vizinha a dizer que ela lhe tinha telefonada na véspera para que chamasse os bombeiros, pois estava a sentir-se mal e queria ir ao hospital!
Assim foi, e ficou lá em observações.
O mais engraçado, sim, porque episódios em que a minha avó entre são sempre melodramáticos... ela leva as pessoas aos píncaros de tudo que é emoção: raiva, ódio, amor, riso, triteza...enfim é a minha avó e está dito!
Como ia dizendo, quando a minha mãe chegou ao hospital, foi logo atingida com um:
'O que estás aqui a fazer?' E sem hipótese de resposta um ' Só agora é que vieste?'
Entretanto chegou o médico que foi explicando o que se passava ao mesmo tempo que ia fazendo perguntas sobre o passado e presente dela no que respeita a assuntos clínicos. Admirou-se de ela não ter vestígios de pó nos pulmões, de em toda a vida dela só ter tido uma ou outra maleita e essencialmente de ela viver sozinha.
No fim da conversa, virou-se para a minha avó e disse-lhe que ela tinha de ir para casa da minha mãe, pois não podia ficar mais sozinha. Levou com a resposta de que nunca, que antes queria ir para um lar!
Uma das acompanhantes do médico caiu na asneira de dizer: 'Se não vai a bem, vai a mal'...pois pois, fez mal em dizer aquilo... é que a resposta foi: 'mande na sua vida, que na minha mando eu!'.
A minha avó, apesar do 91 anos, está lúcida, conhece tudo e todos, lembra-se do passado tão bem como do presente, tem telemóvel; mas assumiu que a idade lhe dá o direito de dizer e fazer o que lhe apetece e então acha que pode quebrar regras, passar à frente dos outros e enfim...um osso duro de roer!
Quando o médico abandonou a enfermaria, começou por dar ordens à minha Mãe: para ela ir a casa, fechar janelas, dar de comer ao gato, trazer-lhe o telemóvel, roupa... enfim a mãe da cachopa de 10 anos...da década de 50 do século passado, pois a de agora mandava-a ir ela!
Enquanto isso, ia tirando a máscara para falar e resmungando a propósito de um senhor que estava na enfermaria e não parava de tossir devido ao seu estado de saúde!

Bom, amanhã sai do hospital e vai para casa dela...que havemos de fazer? Deixar andar! O pior é que ela está na 'maior' e a minha mãe a ir-se abaixo com estas coisas arrastando o meu pai com ela!
Eu tento, se calhar egoisticamente, passar ao lado destas coisas. Limito-me a procurar uma explicação para estas coisa e a convencer a minha mãe de que as coisas não são assim tão escuras.

Para a minha mãe cinzento é preto com branco e ela na maioria das vezes só vê o preto!

Para mim a minha Avó está no hospital, mas já sai amanhã...para a minha Mãe a minha Avó está no hospital e só sai, se sair, amanhã!

Humor Campestre

Um homem entra em casa com uma ovelha nos braços.
A mulher, deitada na cama, está lendo um livro.
Diz o homem:
- Olha, amor, esta é a vaca com a qual eu transo.
Diz a mulher:
- Se você não fosse tão idiota, veria que isso é uma ovelha não uma vaca.
O homem sorri e responde:
- E tu, se não fosses tão estúpida, verias que estou falando com a ovelha e não contigo...

Guerra e Liberdade

Incrível como as coisas mudam, mudam e…voltam sempre ao mesmo!
Guerra: vejamos,
tivemos a segunda guerra mundial nos anos 30 e 40,
a guerra do Vietname na década de 50,
a guerra do ultramar na décda de 70, blá blá…mudamos de século e estamos com a guerra do Iraque e Afeganistão ( repetição ou remake?)
Liberdade: liberta este, aquele,
Portugal na década de 70, o 25 de Abril de 1974, a tão esperada liberdade;
emancipação feminina nos anos 60: mulheres queimam soutien, usam mini saia e …passam a votar!

Agora, que temos nós? Liberdade ou guerra? Os miúdos não poderem sair de casa sozinhos com medo da pedofilia e afins, é liberdade?
Andarmos a contar os trocos todos os dias para que o dinheiro chegue para pagar as contas, não é guerra?

E então qual o significado de LIBERDADE?...e de GUERRA?

terça-feira, 10 de junho de 2008

O filho que eu não vou ter NUNCA!

Ainda não o disse aqui, mas a minha amiga Ticha, a Companheira, está grávida...super grávida.
É uma menina e nasce daqui a sete semanas.
A felicidade está escrita em todos os cantos do corpo dela!
Realmente deve se uma sensação única..estar grávida!
Ter uma vida dentro de nós!
A primeira pergunta será: será loiro, terá olhos castanhos como eu? E o cabelo será preto...ou castanho?
Depois virão questões mais sérias: será saudável? ´
E depois de todas estas questões respondidas virão aquelas dúvidas:
-Tem jeito para o desenho...vai ser arquitecto! diz a mãe,
-Não vês como ele dribla a bola? Vai mas é ser futebolista! contrapõe o pai!

Os anos vão passando e todas estas questões vão-se transformando numa vontade: que seja feliz e tudo isso passa por: ter saúde, sucesso e acima de tudo ser um bom cidadão!

Seriam estes, ou não os desejos (meus) sobre o(s) filho(s) que eu não vou ter NUNCA?

Nunca vou saber...NUNCA...palavra horrível, incontornável!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A Pressa do Tempo

Tinha eu 4 anos e brincava com as minhas amigas gémeas na cozinha de lá de casa.
A minha mãe bordava junto a nós e a conversa era sobre: ... quando eu for grande…
A Paula dizia:
-Quem me dera ter já 18 anos!
A Bela:
-E eu queria ser grande, ser uma senhora e ter um marido e filhos!
Eu não disse, mas pensei: Eu quero ser sempre assim, ter 4 anos e brincar, brincar….
E sem darmos conta, já passaram tantos quatros, meu Deus!
Ó Sr. Tempo, porque insistes em andar tão rápido? Qual é a tua pressa? Para onde vais? Para onde nos levas?

O tempo da Paula andou mais depressa que o meu e o da Bela… há alguns anos que o tempo da Paula já parou! Infelizmente parou na casa 25!

domingo, 25 de maio de 2008

Olá Amiga, Até já Amiga!

Penso quase todos os dias em ti!
És a prova de que tudo na vida muda num piscar de olhos e nem sempre para melhor!
Em menos de um ano casaste, engravidaste, adoeceste e... morreste.
Tu com aquela tua vida tão única, tão independente, tão segura... e esse teu nariz empinado!
Era só aparato, afinal eras insegura, carente e ingénua, muito ingénua!
Quando te conheci, pensei de ti tudo que todos pensavam... convencida, nariz empinado...
Tivemos algumas divergências, como quase todos tiveram. Não eras uma pessoas fácil... todos o dizem! A tua ausência não muda a verdade nem o passado, não é? Tu que também eras uma defensora da verdade e da justiça, a tua verdade, a tua justiça, tal como cada um de nós tem as suas... mas que eram valores que tu muito defendias e tinhas sempre presentes, eram!
Não foi justo o que te aconteceu... ainda me lembro daquele dia em que tu, depois de uma ausência devido a uma gripe forte, eu te perguntar se estavas melhor, com um brilhozinho nos olhos e desvalorizando a minha pergunta disseste:
Estou, obrigada, mas tu não sabes da novidade, estou grávida! A felicidade transbordava, mas alguma preocupação também... mal sabias tu, e nós, o que te esperava para tão breve!
A tua preocupação estava relacionada com o facto de ser uma gravidez não planeada para aquela altura ( tu e o planeamento!), não tiveste tempo de tomar certas providências... como deixar de fumar!
Disseste-me, então:
-Sabes, estou contente, mas preocupada, pois por causa da gripe estive a tomar antibióticos sem sabe que estava grávida. Eu não estava a contar engravida tão depressa, já tenho uma certa idade (frase típica tua...só tinhas 36 anos), também sou fumadora, mas pronto agora está, é esperar.
Uns dias mais tarde, passei por ti e, quando te perguntei se estava tudo bem, perguntaste-me tu -Ainda não sabes da novidade?
-Não, respondi.
-São gémeos, disseste tu,
-Que fixe!-foi a minha reacção
-Que fixe o caraças!...tudo a dobrar!...
Foi da boca para fora. A felicidade era ainda maior...
Foste uma grávida exemplar...deixaste de fumar...tudo que fizeste a partir daí foi a pensar nos teus bebés. Seguiste uma alimentação saudável, tornaste-te uma pessoa regrada, tu que não tinhas horários para ti, só para o trabalho!
Eles nasceram... no São João... altura em que tu também fazes anos.. .o João Pedro e a Ana Sofia...nunca os vi...
Em Agosto desse ano, uma colega disse-me que estavas no hospital pois tinham-te aparecido ´'uns papos' debaixo dos baços e os médicos desconfiavam do pior. Fiquei preocupada...nunca deixei de pensar em ti.
As coisa evoluíram de uma forma galopante e da pior maneira...o baço inchou, foste operada. Fui tendo sempre notícias tuas, mas à distância. Não porque me quisesse afastar, mas porque sabia que prezavas a tua privacidade e era assim que te sentias melhor.
Um dia, por acaso, encontramo-nos numa pastelaria perto de minha casa. Tu é que me viste e me chamaste. Lanchavas com o Pedro, o teu marido. Fiquei feliz, muito feliz por te ver e triste porque vi uma mulher transformada pela doença. Inchada, sem cabelo e percebi de mais perto que, como muitas vezes ouço a minha avó dizer, não somos ninguém... no que nos transformamos em tão pouco tempo!
Estive um bocadinho contigo.... a nossa conversa foi ... foi... tu falaste do que quiseste e eu respondi-te como pude... da forma mais leve possível e sincera...
-Nem te estava a conhece... também não contava encontra-te por aqui.-disse eu quando a vi.
-Pois estou toda inchada, é dos tratamento, disseste logo de rajada-também já não tenho cabelo, isto é uma peruca, mas é foleira...vou compra uma de cabelos naturais.
-E, então estás melhor?-perguntei.
- Estou, saí agora do hospital, estava com saudades destas torradas e, como não sei quando volto a sair de casa, pedi ao Pedro para vir aqui lanchar.
-Fizeste bem. E os gémeos?
-Estão com a minha irmã, ela vai levá-los lá a casa daqui a pouco.
-E tu, como te sentes?- perguntei.
-Bem, estou toda inchada, olha para a minha barriga, parece que ainda estou grávida.
-Mas tiveste os bebés só há dois meses e fizeste cesariana... é normal!
-Pois é, é normal... não é normal é o que me está a acontecer!
-Mas tu agora saíste do hospital e vais lá só fazer quimio...vais fazer transplante, vais precisar de dador de medula?-perguntei eu já a pensar como ia ser...
-Ainda não sei, mas tenho uma vantagem... a minha medula está saudável e assim posso fazer auto-transplante e não preciso de andar atrás de um dador.
-Isso é óptimo!
Falamos depois da empresa, aliás, fui respondendo às perguntas normais de alguém que está ausente há alguns meses e tem curiosidade sobre os acontecimentos e as pessoas... até que tu me arrumaste completamente com a afirmação:
-Eu já não volto mais para lá... se me safar desta, vou trabalhar na empresa que montei... se morre é não vou mesmo...
Foi assim, nu e crú... e com tanta certeza que, só pude, aliás só saiu...
-Não penses assim... daqui a uns meses vamos estar a fala outra vez...
É a última coisa que me lembro de te ter dito nesse dia... eu queria acreditar no que estava a dizer... voltei a ver-te... semanas mais tarde no mesmo sitio, por acaso, também...
Era Fevereiro, um daqueles meses de Fevereiro de muito frio e de muitas gripes... nessa altura estavas mesmo irreconhecível! Tinhas 'lutado' até ao último minuto com os teu marcadores para que eles te permitissem sair do hospital. Já tinhas a tua peruca de cabelos naturais, facto que tu fizeste questão de evidenciar... também já tinhas feito outra operação...para tirar parte do estômago, que tinha apodrecido devido a lesões provocadas pelo inchaço baço.
-Sabes o que estive a fazer nestes dias-perguntaste-me
-Estive a escolher os materiais para o apartamento. Se não for para mim é para a próxima...fica trabalho adiantado Assim, friamente... só por fora, não era?
Uma semana depois de este encontro soube que tinhas ido de urgência para o hospital e, que tinhas perdido a guerra com a doença!
Tinha maus pressentimentos sobre a tua doença, mas sempre acreditei que ias ganhar esta guerra! Quando me deram a notícia, o choque foi o mesmo como se me estivessem a dar a notícia de alguém que tinha tido um acidente e morrido!
Morreste no Carnaval, mas nós levamos a mal! Com 36 anos e tanto para fazer e ver na vida, só pode!
Mas não há volta a dar... a única coisa irreversível da vida...a morte!

Depois desse dia e, antes de voltares para o hospital com mais uma crise, a penúltima, quiseste baptizar os meninos e segundo dizem, disseste:
-Ao menos ao baptizado vou!

Hoje está a decorrer uma campanha de angariação de fundos para ajuda de organizações de investigação e tratamento de doentes com cancro. Mais que nos outros dias me lembro de ti, Amiga. Eles fizeram muito por ti, mas não foi suficiente...o adversário era muito forte!

Até já Amiga...Um dia havemos de nos encontrar... onde, como e quando não sei, mas que é certo, é!

Eles vão casar!

Lembro-me como se fosse hoje do dia em que conheci a Joana: foi há 15, 16 anos em casa do Vítor, onde estávamos a festejar o seu aniversário.
Toda a gente falava no casal Joana-Pedro.
A Joana, uma miúda de 18 anos, muito independente que estudava numa privada e trabalhava no McDonalds em part-time para patrocinar os seus estudos e ajudar os pais.
O Pedro, porque era o menino da mamã, filho único, a quem a mãe limitava as saídas, apesar dos seus quase 30 anos.
Foi essa a razão porque não conheci o Pedro nesse dia: tinha ido com a mãe visitar um familiar. A Joana apareceu mais tarde, porque tinha trabalhado no turno da noite, e por isso chegou por volta das onze horas da noite.
Já todos tínhamos jantado quando ela chegou com o capacete da sua scooter debaixo do braço. Miúda franzina, cabelo pela cinta apanhado em rabo de cavalo. Nem a madeixa vermelha ao longo do cabelo lhe tirava aquele ar de miúda de 17 anos, que tinha na altura! Sempre com um sorriso, que desapareceu por momentos quando o nome do Pedro foi referido e lhe perguntaram o motivo da sua ausência!
Conheci o Pedro mais tarde, já o namoro estava mais avançado, mas com o triângulo: mãe-Pedro-Joana. Naquele dia também chegaram mais tarde, pois a pedido... da mãe, o Pedro tinha ido a Vila Real entregar um bolo a um familiar! Desta vez a Joana foi com ele!
A Joana sempre teve carta branca dos pais para sair com quem quisesse, para onde quisesse e quando quisesse. O Pedro, não, pelo contrário, ou era o fim de semana que tinha de ir para a quinta podar vinhas, levar os pais ao casamento da prima, enfim...era engraçado... a Joana saía com os amigos, divertia-se, com alguns acessos de tristeza quando se falava no Pedro, que estava a apaijar a mãe!

Hoje, ao fim de todos estes anos de turbulência, vieram-nos trazer o convite de casamento. Finalmente!
Espero que sejam muito felizes e que o tanto um como outro saibam lidar com o fantasma 'mãe do Pedro'.
O Pedro que saiba colocá-la à distância de modo a preservar a sua relação com a Joana e que ela consiga ter superioridade suficiente para não se deixar atingir por isso!

Joana, eu compreendo-te perfeitamente! Espero que tenhas consciência do que te espera, pois assim estarás preparada, pois se vais embarcar nisto de uma forma inocente, vias sofrer... e eu não quero que tu sofras, amiga, é muito duro, muito duro, mesmo!

Para os noivos: MUITAS FELICIDADE e encontra-mos no dia 08/08/08...data para não esquecer!

Nota: Assim como me preservo, também gosto de preservar os outros, pelo que os nomes são fictícios.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O Meu 1º de Maio de 1974

01/05/1974: feriado, passavam 5 dias do 25 de Abril...a euforia ainda era grande...a liberdade ainda não estava digerida. Ainda não se falava de partidos de uma forma aberta, só em grupos restritos. A única bandeira que se via na rua, para além da Portuguesa, é claro, era vermelha... a do partido comunista, mas naquela altura, significava mesmo era LIBERDADE, nada mais!

Praça General Humberto Delgado ( passou a chamar-se assim depois de Abril de 74), aquela hora em que já não é dia, mas ainda não é noite...música, muita música portuguesa; uma roda muito grande de pessoas em frente à câmara do Porto, todos tinha bandeiras, estavam de mãos dadas. Uma rapariga, com uma boina e um militar entram para o meio da roda e começam a circular no seu interior empunhado uma bandeira...

Foi lindo...para mim foi lindo...foi um dos momentos mágicos da minha vida e, na altura não percebi o seu significado, mas para mim a imagem do primeiro de Maio será sempre aquela! Hei-de ser velhinha e ainda lembrar-me!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O Meu Dia 25 de Abril de 1974

Estava sol, não tão quente como hoje, mas estava sol!

O dia começou como os outros: levantei-me, esperei pela minha amiguinha Paula no fundo das escadas do prédio e lá fomos nós para a escola. Andávamos na segunda classe, sim porque naquela época era segunda classe que se dizia! nessa época os meninos também iam para a escola sozinhos, esses eram livres, ao contrário de agora!

Bom, mas é daquele dia que estou a falar, na escola tudo normal, deu-se a matéria, fomos para o recreio, e é quando começa o burburinho...os pais a chegarem à escola, a levarem os meninos, as professoras também saírem...estranho, mas que se passa?

Essa pergunta foi feita à professora que respondeu:

-Não se passa nada, o que tinha de se passar já passou e agora está tudo bem.

Os pais continuavam a ir buscar os meninos, até que da escola só a minha professorara lá estava com os poucos de nós que restavam. A professora era a mesma de sempre.

Com o argumento de que tinham ouvido no rádio, que algo se passava, por volta do meio-dia, os pais de um menino, do Victor, foram buscá-lo. Nesse momento, não sei porquê senti uma sensação de abandono. O pai da Paula já a tinha ido buscar e eu tinha-me aguentado, mas naquela altura... eu que até era uma miúda de expressar pouco o que me ia na alma!

Esse menino e o irmão ficavam de tarde em casa da D. Guilhermina... mais uma diferença: naquele tempo não havia ATL, havia as 'mestras' e os meninos que não tinham onde ficar porque os pais trabalhavam, iam para lá... eu também ia... e quanto eu gostava!

Então eu levantei-me e disse:
-E eu, posso ir embora? Os meninos estão todos a ir e os meus pais não me vêm buscar?!
-Mas eles não têm de te vir buscar, a escola só acaba à uma e tu vais sozinha como é costume!-Respondeu a professora.
-Mas, Senhora professora, eu não posso ir já? O Victor também vai para a Senhora ( era assim que tratávamos a D. Guilhermina)!
-Se quiseres vai, mas não vejo necessidade!

Pronto e eu lá fui com eles, na 4L bordeux, ainda me lembro! Mais apreensiva que assustada. De facto, recordando aquele dia, não estava assustada, mas estava ansiosa por ver os meus pais!

Não sei se a minha mãe me foi buscar mais cedo que o habitual, sei sim que esperei uma eternidade com o queixo pousado no portão da casa da Senhora...

Enquanto esperava, toda a gente que passava levava jornais e muitos deles liam-nos enquanto caminhavam, com se as notícias se desactualizassem antes de chegarem a casa. Também havia mais gente na rua que o habitual, pensava eu! É que a partir de uma certa hora, aquele dia contou para a 'estatística da rotina': mais pessoas que o habitual na rua, os pais a irem buscar os meninos fora de horas, não se estudou, o Sr Chaves ( marido da Senhora) nervoso! Sim esse estava nervoso e esteve pouco tempo connosco na cave!

Às tantas, ao fundo da rua vejo um vulto, que pelo andar seria a minha mãe, sim porque ela também vinha a ler o jornal em passo apressado! Não é que eu não estivesse habituada a ver a minha mãe ler o jornal, mas na rua?! Estranho!

Quando ela se aproximou, abraçou-me com um sorriso de orelha a orelha, sem largar o jornal, claro e eu perguntei-lhe:

-Que se passa, mamã?

- Foi uma revolução. Quando chegarmos a casa a mãe explica. Peguei no jornal, era uma edição especial da tarde do JN, com poucas páginas, e na capa tinha uma fotografia de um tanque de guerra com militares em cima muito felizes.

Peguei nas minhas coisas e lá fui eu para casa.

Naquele dia não houve desenhos animados, era só notícias com imagens de militares, iguais à do jornal!


Entretanto chega o meu pai, feliz da vida, esse não trazia o jornal, vinha carregado de jornais! Conhecendo-o como o conheço, nem precisava de ter essa imagem na minha memória, seria assim que o imaginava naquele dia!

O telefone estava sempre ocupado, ou era o meu pai a telefonar ou alguém a telefonar-lhe... a campainha também esteve bastante concorrida com amigos nossos a passarem lá por casa!

Não sei se me deitei mais cedo ou mais tarde que o habitual... nesta idade o tempo está ligado à ânsia e não ao relógio, quanto muito estaria à televisão, mas como a programação mudou completamente, não sei!

Sei que no dia seguinte fui para a escola, e a rotina recomeçou...num país agora livre...os militares tinham-nos dado uma coisa que nós não sabemos, nem nunca soubemos valorizar!

Nem os que nasceram durante o estado novo nem os que nasceram num país livre... esse muito menos... e é por isso que agora os meninos não são livre num país dito livre... eu no fascismo, ia para a escola sozinha... os meninos de agora, não!

Afinal onde está a liberdade? O que é afinal LIBERDADE???????????????



( imagens tiradas da net)



segunda-feira, 21 de abril de 2008

República Checa

Na semana passada estive, pela segunda vez, quatro dias na República Checa em trabalho.
Confesso que da primeira vez não gostei muito...para além de muita novidade, era uma fase profissional com muitas novidades e de muito trabalho.
No dia em vim embora estive duas horas em Praga e dessas duas horas 1h30 deve ter sido ao telefone a resolver problemas de cá...prefiro nem falar dessa fase, pois deu-me (e continua a dar) muito trabalho transitar para a fase em que estou, que apesar de ainda se de muito stress, não se compara a essa! Irra!
Bom, estas fotos são desta nova visita, a segunda, que foi muito mais calma que a anterior!
Passamos também por Praga no último dia, mas de uma forma mais serena sem stress. O stress foi no primeiro dia, em que descobrimos que o hotel ficava a 80 km de Praga e 30 de Mláda Boleslav, a cidade onde tínhamos as reuniões! Saímos de Praga às 18h00 e chegamos a Dosky ( vila do Hotel) às 21h30! O jantar foi uma paragem num McDrive e comemos no quarto do hotel...É que tínhamos de chegar ao hotel antes das 22h00, senão não entravamos!
Bom depois disso, foi interessante...lindo...o único senão, é que fui ao museu da Skoda e gastei a bateria da máquina fotográfica e...depois não pude tirar fotos em Praga!

Estas fotos são: a primeira de Dosky, de manhãzinha , tirada da varanda do quarto e a segunda de Mlada Boleslav em frente ao restaurante onde jantávamos.

Foi bom, hei-de lá voltar... se não for em trabalho, por mim!







quarta-feira, 9 de abril de 2008

Amanhã..faço anos

Pois é, amanhã cá vem mais um para cima do pêlo!

A idade é uma coisa engraçada! Como as coisas mudam com o avançar da idade!
Ficamos menos permeavéis a lamechice e pedinchices...Não é que eu seja muito de fazer donativos e essas coisa, pois sempre achei que o que eu estava a dar só uma pequena percentagem ia parar ao destino e pelo meio um sem número de pessoas estavam a encher-se! Mas agora estou impossível! A única coisa para a qual vou contribuindo é o cancro da mama..não consigo ficar indiferente...mesmo sabendo que do que eu dou só 10% lá chegam!
E acreditar nos outros? Também confesso que fui sempre para o desconfiado, mas houve uma fase da minha vida, que achando que era um pouco dura, me tornei muito coração de manteiga...era como que a redimir-me, mas agora? Não quando era miúda é que estava certa...não podemos acreditar em (quase) nada do que nos dizem!
Passamos a reagir a menos coisas e mais com a razão e menos com o coração...isso é bom, muito bom! Não sofremos, nem nos penalizamos pelo que fizemos a quente... se bem que continue a achar que só nos devemos arrepender do que não fizemos... desde que seja com a razão e não com o coração... decididamente o coração e a emoção leva-nos por maus caminhos!
Nisso a minha mãe é artista... e a minha avó do alto dos seus 92 anos é o topo!Tanto uma como a outra sempre as conheci muito pouco emotivas...sempre foi preciso muito para que elas se emocionassem...e se deixassem levar!
Em Outubro passado, um tio nosso faleceu, tio esse casado com uma irmã da minha avó! Como é uma das poucas datas que não escolhemos na vida, ele morreu depois de doença prolongada e, ironia do destino, não tinha lugar no cemitério da terra dele.
Como a minha avó tem um jazigo grande no mesmo cemitério, disse À minha mãe para falar com a minha avé e assim o tio seria a li enterrado. A minha mãe desde o primeiro minuto disse que não, que traria muitas confusões...mostrou a mesma posição até ao fim, insistindo que quem tinha que resolver era a junta de freguesia e que se cedesse na permissão as irmãs iriam ter problemas...
A situação resolveu-se sem a necessidade de usar o jazigo da avó e, não é que passados dias andavam as irmãs a trocar 'hostilidades' em relação à 'decoração' dos jazigos?
A minha mãe só disse: É assim como está, imagina agora que estavam a partilhar o jazigo! Tive que lhe dar razão!


Mas, pronto estou a falar dos meus anos e não de jazigos. Confesso, como toda a gente, que a ideia de envelhecer é assustadora...é o fósforo que se vai queimando até apagar. Engraçado, quando era miúda comparava a vida a um lápis! Afiava-se, afiava-se, até que desaparecia...lá está a simplicidade de uma criança!

Voltando ao envelhecer...mas também é algo que não me atormenta, nem me tira o sono!
Desde há uns tempos a esta parte, venho tentando 'educar-me' para ver sempre a parte boa das coisa...se não há boa, há pelo menos a menos má!
Uma das minhas teoria é que a minha esperança de vida é a minha Avó... ela tem 92 anos!
Outra é que estou a chegar aonde outro não sabem se chegam!
... e tenho o jantar a queimar...amanhã faço anos e vou tentar passar um bom dia ( normalmente choro sempre no dia dos meus anos...sem motivo aparente!)

Beijos

terça-feira, 1 de abril de 2008

Dia de Cão

Hoje foi um dia de cão!
Gripe, trabalho, trabalho e mais trabalho.
Para terem uma ideia, eu spo 'avessa' a medicamentos...para aguentar o dia, tomei 2 comprimidos!! 2!!!
Transpirei que me fartei, mas aguentei...também depois desta semana e da próxima vou meter uma semana de férias...mereço! Estou cansada!

São 22h54 e eu vou para a cama! É obra!

sábado, 29 de março de 2008

Carneiro (21/3 - 19/4):


Carneiro (21/3 - 19/4):
1.. Frase: "Não sei bem o que quero, só sei que quero JÁ!"
2. O que o Carneiro espera de seu parceiro: Para o Carneiro, o que importa é a conquista. O desafio de conseguir a pessoa amada é sua principal motivação. Pode perder o interesse quando consegue seu objetivo. Gosta de correr riscos, o que pode levá-lo a se envolver em triângulos amorosos.
3. O que o Carneiro diz depois do sexo: "Legal, vamos de novo!"
4. Como irritar um Carneiro: Fale com ele dando uma enorme pausa entre as palavras. Não deixe que eles falem, ou, se falarem, corte pelo meio.
5. Como o Carneiro reza antes de dormir: "Querido Deus! Dê-me PACIÊNCIA, e eu a quero AGORA"!
6. Por que o Carneiro atravessou a rua? Certamente para bater boca com alguém que estava do outro lado.
7. Você foi assaltado e o Carneiro... Dá um soco na mesa e diz: "Mas que merda! Não se pode andar mais tranqüilo na rua nos dias de hoje!"
8. Adesivo para o vidro do carro do Carneiro: "Passa por cima, Ô babaca!"
9. Quantos Carneiro são necessários para trocar uma lâmpada? Apenas um, mas serão necessárias muitas lâmpadas.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Para aliviar as 'tensões'

Uma professora universitária acabava de dar as últimas orientações aos alunos acerca do exame que ocorreria no dia seguinte.
Finalizou alertando que não haveria desculpas para a falta de nenhum aluno, com excepção de um grave ferimento, doença ou a morte de algum parente próximo.
Um engraçadinho que estava sentado no fundo da sala, perguntou com aquele velho ar de cinismo:
- De entre esses motivos justificados, podemos incluir o de extremo cansaço por actividade sexual??

A classe explodiu em gargalhadas, com a professora a aguardar pacientemente que o silêncio fosse restabelecido. Assim que isso aconteceu, ela olhou para o palhaço e respondeu:
- Isso não é um motivo justificado e continuou serenamente
Como o exame será de escolha múltipla, você pode vir para a sala e escrever com a outra mão... ou se não se puder sentar, pode responder de pé.

Adeus

Hoje de manhã fui fazer uma coisa que ninguém gosta: fui a um funeral!

Era do pai de uma colega de trabalho... um senhor com 89 anos... pensei em tantas coisas: na minha avó que já tem 92, no meu pai, no meu tio que Zeca que faleceu em Outubro passado...

Nestas alturas paramos para pensar e apercebemo-nos que o valor e o sentir das coisas é relativo...tudo é relativo na vida!

Quando alguém nos diz que alguém com muita idade morreu, o nosso primeiro pensamento é: ' Pronto já era muito velhinho, já viveu, o que interessa é que não sofreu, blá, blá...tretas!

Mas nestes momento em que estás perante um caso mais próximo, em que é um ente querido e que tu amas... até pode ter 200 anos, mas tu vais querer que ele viva mais 200 e nunca passar pela 'despedida definitiva'!

É uma sensação estranha essa de nos despedirmos de alguém com a certeza que não nos vamos cruzar com eles na rua, que não vamos estar na mesma festa de aniversário...que, definitivamente, não vamos ver mais neste planeta e noutro veremos ou não...como diz a minha mãe...nunca ninguém voltou para contar. É uma viagem sem volta!

Não sei como vai ser quando eu tiver de passar por isto, que espero que seja daqui a muitos e longos anos! Não é para ter tempo de me mentalizar, pois isso nunca acontecerá, mas sim para eu gozar os meus entes queridos... adoro-vos PAI, MÃE, AVÓ, TIA, apesar de tudo... e acima de tudo!



À minha amiga e colega só desejo que ela tenha sabido aproveitar todos os bocadinhos possíveis com o pai dela... eu não sei se estou a conseguir com o meu, mas tento e tenho medo de não conseguir!

Sr Domingos, Minguinhos, como lhe chamaram os netos de uma forma que bateu cá no fundo e mostrou todo o amor de que o Sr era alvo... descanse em PAZ...

domingo, 23 de março de 2008

O meu jardim

Tenho um orgulho enorme no meu jardim.
Não é que passe lá muito tempo, até porque quem faz o trabalho mais pesado de cortar relva e plantar as coisas da horta é o L.
Eu gosto das minhas flores: de as plantar, de as ver crescer, de guiar as trepadeiras...as trepadeiras, tenho um orgulho enorme na minha lanterna chinesa e na glicínia...estão quase a juntar-se na treliça!


... e as framboesas? Lindas e boas!


Neste momento as estrelas do jardim são as tulipas...lindas todas juntinhas de todas as cores!


E as fréssias? Elas são amarelas, liláses, vermelhas....são lindas! E cheiram! Deliciosas!
E o jasmim? Verde lindo! Misturado com os brincos de princesa, é um espectáculo!

Grande e grandiosa é a cerejeira... e tem uma história tão linda quanto ela! Um dia conto, mas agora só vou comentar a beleza das suas flores!



Este ano se não houver vento que destrua as flores, vamos ter a maior quantidade de cerejas de sempre!

Não me vou, nem posso esquecer das azáleas: fazem uma sebe lindíssima...plantada mais que uma vez...pelo menos 3..o Sr B, o sempre que ia ao jardim aproveitava para as arrancar.


Isto tem uma explicação: como ele do sítio onde estava conseguia ver-nos a plantá-las quando podia vingava-se nas plantas o tempo que não esteve connosco! Explicação de um entendido em psicologia canina... e o certo é que da última vez, nós não o deixamos ver e ele não as arrancou!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Páscoa na Família e na Cidade


Na minha família a Páscoa é a época dos grandes acontecimentos: os bons e os maus!

Do lado do meu pai, com excepção..do meu pai, do meu avô e da minha prima, todos nascemos na época da Páscoa: a minha avó nasceu num Sábado de Aleluia, eu nasci num Domingo de Páscoa e depois todos nasceram em Abril!


Quando casei, mudei-me para uma cidade, onde a Semana Santa tem muito significado, sendo inclusivé ponto de grande afluência turística na época.


Durante toda a semana há procissões. Este ano pela primeira vez fui ver duas: uma na quarta feira: a da 'Burrinha' e a de ontem: a dos Farricocos.

Estes são os nomes populares das procissões. Tanto uma como outra são bastante interessantes e completamente diferentes.

Interessante nesta procissão é ver a 'atitude' das pessoas!

Desde aquela que vai para rua duas horas antes esperar a procissão para ter um lugar na frente e, na hora da procissão, chega alguém que se mete à frente e:

-Ó senhora, como é? É assim? Estou aqui desde as oito horas!

- Não seja invejosa, dá para todos verem!

-Olha a mulher, estive eu aqui ao frio para guardar o lugar, e vem-me esta na hora da procissão e mete-se à frente!

...pronto há discussão e nem a que chegou às oito nem a outra viram a procissão!


A da Burrinha, é uma procissão que retrata várias passagens do antigo testamento e a Nossa Senhora é transportada numa burrinha.





A dos farricicos, cujo nome é 'Ecco Homme' é caracterizada por no início ter um grupo de encapuçados que transportam umas tochas mantidas por pinhas.


Nesta também assisti a um episódio engraçado: o marido de uma senhora que estava ao meu lado. 'caiu' na asneira de dizer que tinha a máquina fotográfica no bolso!

-Ó homem tira fotografias...algumas hão-de ficar boas! Tira agora ao Senhor...olha está parado...tira agora...agora vai passar por nós..tira...mais vale ter muitas que nenhuma!

E foi isto a procissão toda...quase que mandava o homem para o meio da procissão para tirar as fotos!

Enfim, cenas caricatas que fazem parte da vida de quem vive em sociedade!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Número

Decididamente o meu número da sorte é o 6!
Não é que comprei pela Net uma lotaria popular a terminar em ...56 e ganhei 5 euros!...gastei 2!
Tem sido uma semana terrível!
Não sei para que lado me virar! Só confusões e problemas!

IRRA!

Tenho de começar a pensar em mudar de vida... abrir um negócio, mas de quê?
Cascas de alhos, como diria a minha avó!
Sabem, nem escrever me apetece!

Estrelinha minha: dá-me força... nem é preciso pedir..tu estás aí e não me deixas bater no fundo! Se eu for abaixo um bocadinho, depois a subida sabe melhor!

segunda-feira, 10 de março de 2008

Das minhas Estrelinhas, a Polar



Alguém acredita na reencarnação?



Certamente já aconteceu, pelo menos uma vez, nós acharmos que o que está a acontecer já aconteceu e que sabemos como se vão desenrolar as coisas, mas não nos conseguimos lembrara antes de elas acontecerem!


...e também ver uma pessoa pela primeira vez e achar que já a conhece há muitos anos e criar uma amizade eterna?


Foi o que aconteceu entre a Avó Lina e a minha mãe:

Quando a minha mãe casou, foi viver para um sítio longe da terra dela, onde não conhecia ninguém.


No dia em que foi ver a casa, para onde foi viver, ao chegar lá viu a Avó Lina... decidiu alugar a casa, tivesse ela os defeitos que tivesse! Aquela senhora , convenceu-a!


A minha mãe, ao contrário de mim, que, enfim, não é este o tema.... engravidou logo e teve todo o apoio da Avó Lina.

Um dia, sendo a minha mãe menina fina, quando decidiu comprara uns socos para lavar os terraços, torceu um pé e ficou com uma infecção até ao joelho. Como estava grávida não pode fazer medicação! Foi a Avó Lina quem chamou o médico e tratou dela... a minha Avó... chegou horas depois...com canja a pensar que já era avó!

Quando comecei a falar a primeira palavra que disse foi 'avó' para chamar a Avó Lina!

Na escola, os meu amiguinhos achavam estranho porque eu dizia ter 3 avós! E ninguém me convencia do contrário...a avó Lina era como as outras: prendas para as avós eram para as 3!

Foi ao meu baptizado, à minha comunhão e nunca mais a vi!

Suicidou-se! Triste fim para alguém que deu tanto aos outros!

Eu já perdi muitas pessoas de quem eu gostava muito e que tenho a certeza que também gostavam de mim...essas pessoas onde quer que estejam são as minhas estrelinhas da sorte!

Avó Lina, de certeza que tu és uma delas e é a minha estrela polar!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O CAVALO E O PORCO

Um fazendeiro coleccionava cavalos e só faltava uma determinada raça.
Um dia ele descobriu que seu vizinho tinha este determinado cavalo.
Assim, ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo.
Um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário que disse:
"Bem, seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este medicamento durante três dias. No 3º dia eu retornarei e caso ele não esteja melhor será necessário sacrificá-lo".
Neste momento, o porco escutava a conversa.
No dia seguinte, deram o medicamento e foram embora.
O porco se aproximou do cavalo e disse:
"Força amigo, levanta daí senão será sacrificado!!!".
No segundo dia, deram o medicamento e foram embora.
O porco se aproximou novamente e disse:
"Vamos lá amigão, levanta senão você vai morrer! Vamos lá, eu te ajudo a levantar. Upa! Um, dois, três...".
No terceiro dia, deram o medicamento e o veterinário disse:
"Infelizmente vamos ter que sacrifica-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.
Quando foram embora, o porco se aproximou do cavalo e disse:
"Cara, é agora ou nunca! Levanta logo, upa! Coragem! Vamos, vamos! Upa! Upa!Isso, devagar! Óptimo, vamos, um, dois, três, legal, legal, agora mais depressa, vai...fantástico! Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa! Você venceu campeão!!!".
Então de repente o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou:
"Milagre!!! O cavalo melhorou, isso merece uma festa! Vamos matar o porco!".
Moral da história:
Isso acontece com frequência no ambiente de trabalho. Ninguém percebe qual o funcionário que realmente tem mérito pelo sucesso, ou que está dando o suporte para que as coisas aconteçam.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Que susto!

Para mim o exemplo de tudo na vida é o meu pai!
Eu quis ser engenheira porque o meu pai não o foi... é a primeira vez que estou a dizer isto, mas a verdadeira razão pela qual eu segui engenharia foi o facto de o meu pai quase o ser! E não o ter sido por minha causa, antes: uma das causas! O meu pai sempre patrocinou os estudos dele: trabalhava de dia e estudava à noite. Tudo correu bem e conforme o planeado até à guerra colonial para a qual ele foi arrastado juntamente com a companhia dele: esteve em Angola 2 anos!
Quando voltou a Portugal, a Portugal não, naquela época foi à metrópole, pois Angola também era Portugal! Bem , quando regressou a casa, voltou à vida dele: trabalho de dia e aulas à noite... pelo meio veio o casamento... tudo na mesma..até que veio a proposta de trabalhar aos turnos, quando havia sido anunciado que eu vinha a caminho!
Bebé, mais despesas, turnos, subsídios, ora pois bem, vamos para os turnos... e pronto foi assim! Sou e não sou culpada!
O ter querido ser engenheira também é um bocado o mesmo: se não enveredasse pela engenharia, não sei mais o que seria...talvez física ou em última estância economia!
Mas como dizia: tenho tanto orgulho naquele homem...e esta semana podia tê-lo perdido!
O carro dele teve uma falha mecânica e ele despistou-se e o carro capotou!
Graças a Deus, que nem um arranhou teve! A Estrelinha estava lá e ele saiu ileso! O carro ficou em mau estado, mas isso arranja-se... ou compra-se outro... senão também se pode andar de transporte público... pode andar, não se magoou!
Só soube hoje do acidente! Esconderam-me o sucedido até ontem, se bem que eu desconfiei quando a minha mãe falou comigo durante a semana, inclusive comentei com o L:
-A minha mãe está estranha! Perguntei-lhe se estava tudo bem e disse-me que sim como se estivesse a dizer não!
Só ontem pelo telefone é que me disse que vinha num carro de aluguer porque o meu pai tinha batido com a roda do carro no passeio e tinha partido a direcção e amassado a porta do carro! Estranho: bate no passeio e amassa a porta?
Hoje soube de toda a verdade: o carro perdeu a aderência, começou a andar aos zig-zags até que bateu na berma do passeio e, aí capotou!
O carro ficou virado ao contrário e o meu pais teve de sair pela porta de trás porque o tejadilho do carro abateu e a porta da frente empenou!
Chamaram o INEM, que lhe fez teste de sangue e a polícia que tomou conta da ocorrência. Veio também o pronto socorro que lhe trouxe o carro e a ele para casa, e pronto, tudo acabou em bem, porque tenho o meu pai são e salvo!
Mas estes episódios abalam, porque nos fazem pensar que um dia os perdemos...se bem que o meu lema é que o que tiver se ser será e quando lá chegar vê-se!
Pai, adoro-te... és o melhor pai do Mundo!
Não há outro como tu! Tenho tanto orgulho quando me dizem que eu tenho os mesmos vícios que tu, que faço as mesmas coisas erradas que tu! Para mim é um elogio!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Noite em Cheio


Um dia destes, em conversa com um amigo meu, disse-lhe que tinha criado um blogue. Respondeu-me:
-Um blogue para quê? Para dizeres que acordaste mal disposta ou que estás nos dias difíceis!?
Fiquei lixada!
Afinal o blogue é meu e eu faço o que quero!
Por isso hoje vou falar do dia de ontem! Não que acordei mal disposta, mas para dizer que tive uma noite óptima!

Convidei um grupo de amigos para jantar... este jantar foi adiado imensas vezes, mas ontem aconteceu e, foi óptimo..acabou às 2h00!
Fiz uma massada de tamboril, um porquinho vudu (;-)) e comprei uns camarõezitos! O pessoal entreteve-se a falar de nada, como sabe bem nestes dias, entenda-se de nada brincar com situações caricatas vividas pelo grupo ou gozar com os clubes de futebol... que neste caso são quase todos benfiquistas! Quase, porque o L é Sportinguista. Também é o único!
Depois o meu compadre ainda apareceu para a sobremesa e o café e, a noite acabou em sueca, CRF e vinho verde tinto de malguinha!

Foi bom, barato e...vamos repetir mais vezes!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Número da Sorte

Decididamente o meu número da sorte é o SEIS!

Quando tinha doze ou treze anos, estava eu a ver televisão e não sei bem porquê, peguei em 100$00, dei-os ao meu pai e disse:

-Compra-me rifas para amanhã com o número 56.

No dia seguinte chega o meu pai a casa com 5 contos! O 56 tinha sido a terminação do 1º prémio da lotaria!

Há uns tempos atrás, ganhei 300 euros no joker do totoloto com um número terminado em 6!
A semana passada, ganhei 5 euros na lotaria popular com o número 6!


Ah... e nasci em 66! Eu gosto de cá andar... e considero-me uma sortuda!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Vou Ser Tia!

Já viram?!
Eu não tenho irmãos, o meu marido não tem irmãos e...vamos ser tios!
No sábado passado resolvemos ir ao IKEA fazer umas compritas...tipo ir à loja do chinês: compra-se sempre o que não é preciso, mas sim o que é barato e ...pode vir a fazer jeito, apesar de já termos mil e uma coisa em casa para o mesmo efeito!
Mas pronto, fomos e como quando lá chegamos já era quase hora de almoço resolvemos telefonar ao R e à P para almoçarem connosco.

Estavamos na fila do self service quando a P diz:
-Tenho uma notícia para vos dar!
Eu respondi:
-Vais ter um bébé?
-Como sabes? Pergunta ela.
-Com esse brilho nos olhos, só podia!
-R, já lhes disse que iam ser tios!
-Fiquei tão feliz com aquela forma dela ter dito aquilo...nunca pensei que alguém dissesse alguma vez que eu ia ser tia!

O impossível acontece!

Ah... e é menina... recebemos uma mensagem dias depois que dizia:

-Vão ser tios de uma menina!

QUEM BOM!!!!!!!!!!!!

domingo, 3 de fevereiro de 2008

A Lola

Não sou daquelas pessoas que à primeira impressão inspire simpatia, reconheço.

É uma característica que, dizem vem desde criança, bebé...
No sítio onde para onde os meus pais foram morar quando casaram, e onde eu vivi até casar, todos me conheciam, não pela simpatia, mas pela antipatia...que suscitava alguma graça!
Só como exemplo, quando a minha mãe ia às compras e vinha carregada para casa comigo ao colo-não era propriamente uma criança leve, nasci com 4,200 kg e a partir daí foi só aumentar...quem queria ajudar, que levasse as compras, pois alombar comigo só a minha mães, senão a sirene tocava!
Mas havia duas pessoas com quem a conversa era diferente: a Lola e a Laurinda.
A Lola, de quem vou falar agora era uma mulher que não deixava ninguém indiferente à sua passagem, e pelos vistos nem a mim!
A imagem que eu tenho dela é de uma mulher morena, vistosa, alta, sempre em cima dos seus tacões de 7cm, as costas sempre muito direitas, a maquilhagem sempre muito perfeita, enfim....o que hoje se diz um monumento!
Tinha um problema para a sociedade da época...e para a de agora, apesar em menor escala, não tinha marido e não trabalhava!
Eu não tinha esse preconceito para com a Lola, ainda a minha mãe não a tinha visto, já eu a avistava e me desdobrava em gargalhadas...empatias!
Quando ela se aproximava eu saltava para o colo dela e deixava-a cobrir-me de beijos...só não gostava era do contacto com 'pó-de-arroz' que eu me apressava a limpar, mas nem isso era impeditivo para a deixar-me beijar!
Quando comecei a falar, dizia para a minha mãe:
-Gosto muito da Lola, e gosto de lhe dar beijinhos, mas aquela farinha da cara dela...não gosto nada. E assim era, no fim da cada beijo lá passava eu a mãozita pela cara para limpar os restos de 'farinha' e baton!
Por volta dos meus cinco, seis anos a Lola desapareceu... mudou de casa! Não sei porque, nem para onde foi! A minha mãe deixou de a ver nos locais habituais e um dia disseram-lhe que a Lola tinha mudado de cidade!
Nunca mais foi vista.
Lola, onde queres que estejas, estás e estarás para sempre aqui num cantinho. Eu não quis saber o que eras, só como eras...e eras uma pessoas maravilhosa...e provavelmente por causa disso é que te tornaste no que eras: uma diferente!
Parece que ainda estou a sentir o cheiro do 'Tokalon' e aquela melice do teu baton na minha cara....muitos beijinho Lola... és LINDA!

Histórias Minhas

O objectivo com que eu criei este blogue foi o de registar todas as histórias (estórias?) da minha vida à medida que me for lembrando.
Pois é, hoje ao almoço, com os meus pais, vieram à memória de todos algumas, que estavam cá guardadas no cantinho especial.
Foram quase todas relacionadas com os meus avós e a minha infância... lindas!
Eu conto... uma maravilha! Estão cá gravadas na memória!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Mudar de Vida

Ontem foi o último dia de trabalho da JP na nossa fábrica. Ao fim de 17 anos a trabalhar na B. arranjou outro emprego!

Como será normal numa situação em que as pessoas mudam, não porque estão mal, mas porque querem melhorar ( esta foi profunda!), estava triste porque ia passar a estar connosco menos vezer, mas alegre porque estava com o grupo e sentia que deixava e levava muitas mais coisas boas que más!

Fomos todos ao jantar de despedida (nem o Che, o Zeca e a Marilyn faltaram!).
Foi bom, porque ficamos todos com a sensação que todos iamos continuar bem, nós na mesma vidinha (nunca pior) e ela ia muda de vida, mas por vontade própria e com a sensação de que para melhor!




Boa sorte JP
Nota: a imagem é uma foto da mesa do bar onde fomos tomar um copo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

...eu queria...muito muito e afinal!

Às vezes sinto uma frustração tão grande, que, enfim!
Eram tantos os projectos que eu tinha para a minha vida...e nada. Depois vem pessoas, que até ficam milionárias à custa disso, dizer que temos de querer muito para conseguir!

Eu queria
...não casar...e casei!
...viajar muito...e mal saio desta cidade
...trabalhar em muitos sítios...e trabalho no mesmo sitio há 17 anos
...ter um filho...e ... afinal...

Que frustração!
E o pior é que não tenho força para inverter isto!

Bolas!

sábado, 12 de janeiro de 2008

Para te sentires melhor.... De uma amiga que gosta de ti!

O valor das palavras depende da hora em que elas saem.
Estas quando sairam para mim souberam muito bem!
...foram vitaminas para o meu espirito!
Obrigada a quem mas escreveu

"Posso ter defeitos, viver ansiosa e ficar
irritada algumas vezes, mas não esqueço
de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena
viver, apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser
capaz de encontrar um oásis.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Pensar Alto:O Segredo


Todos os dias, ou quase todos, de manhã no fim do banho tenho por hábito sentar-me na beira da cama. Entro em estado de 'nada' e nunca sei quanto tempo estive assim!
Às vezes pego num livro um numa revista...o que tiver por perto e folheio...sem procurar nada!
Um dia destes peguei no livro que tenho neste momento em cima da mesa de cabeceira: O Segredo.
À sorte abri o livro numa parte que fala que nós devemos concentrar as nossas energias no que queremos e não no que não queremos!

Uma frase da Madre Teresa de Calcutá diz tudo:

Eu sou contra a guerra, mas não me convidem para manifestações contra a guerra, porque eu não vou perder tempo nem energias nisso....agora se houver manifestações a favor da Paz...isso sim podem-me convidar, que eu estarei presente!

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Natal

Eu não gosto do Natal!
No Natal vive-se um clima de hipocrisia e falsidade: temos de dar presentes. mesmo sem apetecer... é Natal;
Temos de ir ao jantar da empresa, porque... é Natal... e para cúmulo levar a malfadada prendinha para a troca. Depois trazemos para casa um porcaria, que a sermos espertos guardamos para a troca de prendas do jantar seguinte... sim porque depois há o jantar dos amigos daqui, dos amigos dacolá...
Para cúmulo algumas destas pessoas só as vimos nesta altura e é nesta altura que descobrimos que tem mais um filho ou então trocaram de parceiro!
E a noite de Natal? Essa é o pico! Se a época é de hipocrisia, a noite não tem palavras! A noite de Natal é com a família. Então lá vem o tio, que, lá está, nunca encontramos a não ser nesta época, a avó e mais o seu stock de medicamentos.
Misturado com o cheiro nauseabundo ao óleo de fritar as rabanadas e dos sonhos, junta-se o cheiro do bacalhau cozido... perdoem-me, mas não gosto!
O dia de Natal... outra saga, se não é em nossa casa lá vamos nós a outro sítio..quando se é casado, se na noite fomos a casa dos pais, lá vamos nós a casa dos sogros, ouvir os elogios ao filhinho e as piadas fininhas' a dizerem que se o filho faz algo de mal... é do convívio!
Enfim, é assim... gasta-se dinheiro de uma forma estúpida! É dar porque tem de ser, conviver porque tem de ser... não gosto!

Não Gosto e pronto!!!!!!!!!!!!!!!!